Depois de perder a vida que havia construído na Europa e ser condenado a cinco anos de prisão em Malta, um brasileiro transforma uma cela em espaço de criação musical, e encontra, através da arte, uma nova identidade enquanto se prepara para voltar à liberdade.
Este não é um filme sobre um criminoso. Também não é um filme sobre um herói. É um filme sobre uma pessoa, que errou, assumiu a consequência, e agora precisa descobrir o que se constrói depois da queda.
Pedro Augusto Charret passou a vida nos bastidores de grandes eventos, Disney On Ice, Teatro Abril, Cirque du Soleil, Olimpíadas Rio 2016, até reconstruir tudo do zero numa oficina mecânica na Suécia. Perdeu essa vida, passou pela pandemia sem trabalho nem volta possível ao Brasil, e tomou uma decisão desesperada que o levou à prisão em Malta: uma sentença de cinco anos.
Dentro da prisão, encontrou algo que já fazia parte de sua vida havia anos. Em 2023, escreveu uma carta pedindo autorização para ter um computador, como forma de terapia. A resposta mudaria sua história: ele voltou a produzir música. Os beats atravessaram os muros, chegaram ao Brasil, e começaram a ser gravados por artistas.
A narrativa é construída a partir de três identidades que representam diferentes momentos da mesma trajetória.
O homem. O filho. O trabalhador. O garoto que começou aos 16 anos nos bastidores de grandes eventos e construiu, aos poucos, uma vida própria, até ela desmoronar.
O personagem que os amigos conhecem, de boa, engraçado, presente. O sujeito que circulava pelo Rio de Janeiro entre artistas e produtores, e que perdeu a liberdade.
O artista que nasce dentro da cela. O produtor reconhecido pelos próprios presos, funcionários e artistas brasileiros que gravam suas batidas.
Sem foto pessoal disponível: o perfil artístico nasceu dentro da prisão, sem retrato próprio.
Mudança para o Rio, trabalho na Fresh Mind Co. e aproximação definitiva do universo musical, os primeiros beats.
Trabalho como borracheiro, e em 2019 a compra de uma oficina própria com o amigo Kik, pela primeira vez, uma vida estável.
A oficina é vendida. Pedro vai para Barcelona, onde o lockdown o deixa sem trabalho, sem dinheiro e sem volta possível ao Brasil.
Condenado a cinco anos de prisão. Semanas sem contato com a família, até o primeiro telefonema para a mãe.
Autorização concedida após carta ao diretor da prisão. Nasce Prodbymvfa, produção no Ableton, dentro da cela.
Faixa com MC Kadu lançada pela Only God Records, o beat produzido na prisão alcança centenas de milhares de visualizações.
Data estimada de liberdade confirmada pela Correctional Services Agency de Malta, sujeita a uma situação pendente que pode adiá-la em até um ano.
Uriel e Pedro se conheceram no universo dos eventos e trabalharam juntos na Fresh Mind. A amizade seguiu através da distância, de uma visita à oficina na Suécia às chamadas de vídeo que hoje sustentam a produção musical à distância.
Cada uma dessas faixas foi produzida por Pedro dentro da prisão em Malta, enviada por fora através do irmão, e lançada oficialmente enquanto ele seguia preso.